• Rafael Mariano

Memória

Atualmente é comum que muitas pessoas façam comparações entre memória humana e memória artificial. Você mesmo já deve ter ouvido alguma, certo?

Sem dúvidas, atualmente os esforços humanos estão voltados para que a tecnologia e, as máquinas, substituam as pessoas e suas funções em vários segmentos da sociedade futuramente.

Engana-se, porém, quem pensa que tal evolução possa atingir somente o universo corporativo. Já existem robôs que manipulam e cozinham alimentos, buscam o jornal no jardim da casa, lavam roupa, abrem portas, entre outras habilidades incríveis.

E isso não é de hoje, você sabe disso!

Aliás, toda essa evolução é para que tenhamos mais “conforto” em nossa vida…

Ou seria o contrário?

Sendo assim, em pouco tempo – na verdade já é assim hoje – a preocupação já não é mais qual decisão tomar acerca de situações cotidianas, mas sim, qual botão apertar.

Fato é que o cérebro humano é insubstituível e sua neuroplasticidade não se pode reproduzir apenas com um apertar de botões ou após ler alguns tutoriais na internet.

Muito menos sua infinita capacidade de armazenamento!

Sim, é possível dizermos que a capacidade da memória humana é infinita e um tanto poderosa.

Mas, talvez você esteja se perguntando:

“Se nosso cérebro tem a competência de armazenar muitos dados, por que me deparo a todo instante com os temidos esquecimentos? É um defeito único da memória humana? ”


Olha, entenda que, primeiramente, é preciso identificar o atual status do relacionamento entre você e sua memória.

Calma! Não vou pedir para você ter uma DR com a mesma agora, okay?

Bom, é verdade que muitos sofrem com esquecimentos. Ainda mais nos dias atuais onde com uma grande quantidade de informações absorvidas diariamente, se lembrar de pequenas coisas pode ser complicado.

Mas é preciso entender que, assim como todos os acontecimentos da vida, tudo fica para trás e a “fila anda”.

Quero dizer que, manter sua mente atualizada e pronta para receber mais conteúdo, é vital e totalmente possível. Da mesma forma que reciclar materiais descartáveis é essencial para a sustentabilidade do planeta.

Citei o termo reciclar para lhe revelar uma pesquisa recente, realizada pela Universidade de Toronto, no Canadá, sobre esquecimentos e suas funcionalidades.

Sim, até os esquecimentos podem lhe servir para construir uma fortaleza em torno da sua habilidade de memorização.

Veja só.

O cientista Blake Richards concluiu através destes estudos, que, “sofrer” com alguns esquecimentos durante o dia é importante para a manutenção da memória.

Você, que possui um computador, já clicou com o botão direito no ícone Lixeira e selecionou a opção esvaziar?

Pois bem. No comparativo, é isso que o cérebro faz quando se vê cheio de dados inúteis, ultrapassados.

A pesquisa afirma ainda que, todo volume de informação que armazenamos, é útil até um determinado momento da vida. No entanto, é necessário deletar os dados irrelevantes – reciclar.

Assim, você terá um ganho de produtividade, saberá selecionar melhor seus argumentos, ou seja, suas decisões serão mais precisas e rápidas.

Não é ótimo saber disso?

A ciência estuda incessantemente os processos de memorização. Porém, infelizmente, quando se trata dos famosos lapsos, ou “brancos”, os mecanismos ainda são pouco conhecidos.

Às vezes, você ouve alguém dizer: “Esquece isso” ou “Concentre-se só nisso”. É a reciclagem de informação que deve entrar em cena para que os lapsos sejam convertidos em novas “pastas mentais”, isto é, sua memória se vê livre dos dados corrompidos.

Nunca pensou que isso poderia ser visto desta forma, não é mesmo?

Agora imagine aliar essa capacidade de requalificar informações com um alto nível de memorização.


O estudo aqui citado mostra justamente que, a memória é passível sim de ajustes e atualizações, que podem ser muito aprimoradas com a aplicação correta de algumas técnicas, chamadas de mnemônicas.

Se mantermos o comparativo, é como proceder a desfragmentação do seu disco rígido, quer dizer… cérebro.

Será que você consegue?

O primeiro passo a ser dado para que isso ocorra, é se desapegar!

Espere aí, não vai agora pensar que precisa se livrar daquela estante velha, a televisão sem controle remoto… não é nada disso.

O que eu quero dizer é que não é nada benéfico julgar esta ou aquela informação como sendo única, imutável. Livre-se dela o quanto antes.

Já disse aqui que a neuroplasticidade é a característica mais fascinante da mente? Então, se você consegue deletar algumas coisas e seguir em frente com resultados positivos, agradeça a neuroplasticidade.

Seu estado mental – mindset – necessita de melhorias constantes.

Talvez o maior dos obstáculos para quem deseja atualizar a memória, está na seguinte crença: Quanto mais informação retenho, mais aprendo.

Essa equação não é tão simples assim. O estudo científico em questão mostra que, desejar guardar absolutamente tudo não é saudável. Afinal, quantidade não é qualidade.

Acúmulo, neste sentido, não é favorável. Não basta somente fazer o que lhe agrada. É fundamental eliminar o que atrasa sua rotina. Aplicar a reciclagem mental com eficiência, sem desperdício de tempo, faz a diferença.

Então busque aprender mais sobre suas próprias aptidões. Repare nos hábitos atuais e mude. Exija inovação de si próprio.

O próximo passo?

Abrir caminho para uma memória mais seletiva, semelhante à de um computador que se mantém ligado 24 horas por dia, como um servidor dedicado.

O ecossistema atual requer de você – e seu cérebro – espaço e uso inteligente de suas capacidades cognitivas.

Posts recentes

Ver tudo

Desde que nasceu, em 1960, Freddie Roach foi preparado para ser campeão de boxe. O pai havia sido lutador pro􏰀ssional e a mãe, árbitra de boxe. O irmão mais velho de Freddie começou a aprender o

Em 1760, aos 4 anos, Wolfgang Amadeus Mozart começou a aprender piano com o pai. Foi a criança que pediu para iniciar o aprendizado tão cedo. A irmã, com 7 anos, já tocava piano. Talvez tenha sid